Tascou-lhe um bilhete de amor à queima roupa. Talvez precipitado, sem encontros marcados, sem avisos sinalizados. Na verdade, tratou-se de um combinado (quase) à sua revelia; um conluio entre as palavras e os sentimentos a favor de um certo desejo. O bilhete foi na carona de um livro emprestado. De fato, o assunto deveria ser restrito ao trabalho, mas desejos sempre têm pressa e quando acham um chofer são assim: escolhem sempre o caminho mais rápido. Nos dias que se seguiram, não houve nenhum tipo de resposta ou comentário do destinatário. Ele deveria ter desconfiado, mas sabemos que um ser enamorado não lê com clareza nem outdoor. Mas havia a festa do tal trabalho compartilhado: eles tinham data para se encontrar. Ele queria muito isso, mas a oportunidade que antes poderia ser uma celebração, agora ameaçava tornar-se um constrangimento. Aquele doce gosto de framboesa, de repente, amargou. Pensamentos desconcertantes fizeram a festa bem antes...